A modernidade da agricultura brasileira

Bom dia pessoal,

Tenho recebido muito material informativo sobre os esforços da área da Agricultura para se adequar ao conceito da sustentabilidade no Brasil. Este artigo, escrito pelo deputado federal, Arnaldo Jardim, que também é o relator da Política Nacional de Resíduos Sólidos, ilustra bem os desafios do setor, como as questões que envolvem a logística e a eficiência energética. Compartilho o ponto de vista dele com vocês.

“Participei ao lado do ministro e embaixador da Comissão Europeia, João Pacheco, e do conselheiro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, Robert Hoff, do painel “Políticas Públicas para a Agricultura”, tema debatido no primeiro Global Agribusiness Fórum, evento que reuniu, em São Paulo, mais de 700 líderes e especialistas do setor para discutir a globalização da agricultura e a sustentabilidade.

O agronegócio é o setor econômico mais importante do Brasil. A atividade responde por 29% de tudo o que é produzido no país, gera 37% dos empregos e quase o dobro do nosso saldo comercial.

Destaquei no fórum que embora o agronegócio tenha se tornado estratégico para a economia brasileira, o setor ainda não conquistou o apoio da opinião pública urbana, apesar da sua eficiência – comprovada pelos consecutivos recordes de produção – e da modernização das relações de trabalho no campo.

É preciso reconhecer que nos últimos anos o agronegócio deu um grande salto de qualidade, fruto de um processo de mais de 20 anos. Teve início em 1990, com o Plano Collor, que promoveu a abertura comercial sem nenhuma proteção e a falência das políticas públicas protecionistas, o que exigiu a profissionalização do nosso agropecuarista e, mais tarde, com o Plano Real, que possibilitou a estabilização interna da moeda.

Mas os desafios para o futuro são grandes: o Brasil precisa superar as limitações estruturais do agronegócio para manter esse setor da economia em expansão. Retomar os investimentos para atender à crescente demanda mundial por alimentos — 20% nos próximos 10 anos, de acordo com dados da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) —, é um dos principais desafios.

Pelo menos três áreas merecem atenção para que o agronegócio mantenha a atual participação em relação ao PIB no que diz respeito à implantação de políticas públicas para o setor. Defendi no fórum que as questões essenciais para dar suporte à atividade são condições macroeconômicas favoráveis, melhoria da logística e política constante de inovação tecnológica.

A estabilidade do câmbio é essencial, assim como a manutenção da política de juros baixos, com ênfase em medidas para assegurar o crédito e garantir o acesso aos seguros agrícola e safra. Completa a lista a adoção de uma política clara de comércio internacional, que também passa pela união dos setores público e privado, e de novos acordos bilaterais.

Para o agronegócio continuar em expansão, temos ainda que investir prioritariamente no modal ferroviário e hidroviário para tornar o transporte eficiente e facilitar o armazenamento e o escoamento da produção agrícola. A logística é estratégica para o setor e, nesse contexto, o modelo de concessões e PPP (Parceria Público-Privada) adotado pelo governo federal na área de transporte pode dar novo impulso a atividade e também aumentar a competitividade.

A busca pela produtividade tem de ser acompanhada por investimentos constantes em inovação, em novas tecnologias e pesquisa. O aumento do vínculo entre empresas, universidades e centros de excelência em pesquisa agropecuária, como a Embrapa, deve ser o principal alvo das políticas públicas para a agricultura brasileira.

Além disso, chamo a atenção para a urgência de o país adotar mecanismos que no médio prazo eliminem a sua dependência externa no que diz respeito à importação dos insumos indispensáveis à indústria de fertilizantes.

Uma política macroeconômica equilibrada, acompanhada de políticas públicas apropriadas para oferecer ao setor a logística indispensável à sua expansão e a inovação tecnológica com alvo na fronteira do conhecimento visando à competitividade, são os temas que considero estruturantes para o agronegócio manter sua pujança na economia nacional, gerando renda, emprego e divisas para o país.

Pelo que representa para a economia, o setor não pode ficar a mercê do improviso, de medidas pontuais e paliativas. As políticas públicas precisam ser pensadas e executadas dentro de um projeto nacional levando-se em conta a vantagem competitiva do país em energias renováveis, no pré-sal e, evidentemente, na agricultura.

A agricultura tem de ser tratada de forma mais estratégica porque é o nosso grande diferencial competitivo, uma oportunidade para nos firmarmos como o maior produtor de alimentos e energia renovável do planeta.”

  

ARNALDO JARDIM – Deputado Federal (PPS/SP)

Presidente da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Infraestrutura Nacional