Consumo é sustentável?

A Ong Um Teto Para Meu País (Teto), realizará no dia 17 de setembro de 2012 uma palestra com o tema:“A ascensão das classes sociais e a ampliação do consumo”.

Divulgação da palestra oferecida pela Ong Um Teto Para Meu País.

O tema me fez pensar sobre uma questão na qual todos os ecologistas e ambientalistas de plantão deveriam pensar também, mas que não é tão nova assim: a incompatibilidade da ascensão social e do crescimento econômico com a tão sonhada sustentabilidade, pelo menos da maneira como ainda são encarados hoje em dia.

Atire a primeira chave aquele que nunca quis comprar um carro! Mesmo em São Paulo, onde as pessoas já planejam seu dia de acordo com os horários de congestionamento, ter um carro próprio ainda é o sonho de muitas pessoas. Isso porque ascender socialmente ainda é sinônimo de “ter” e “comprar”, e crescimento econômico é diretamente proporcional ao crescimento do consumo.

Toda a onde de “desenvolvimento sustentável” e “consumo verde” acabou distorcida e, ao invés de fazer com que as pessoas repensassem seus hábitos de consumo, fez apenas com que trocassem o consumo de produtos poluentes ou “ecologicamente incorretos” por outros que deixassem suas consciências menos pesadas.  Mas a verdade, e que já foi tema de alguns trabalhos e pesquisas¹, é que é impossível que todas as pessoas do mundo alcancem um padrão de vida tal e qual os americanos ou europeus de forma sustentável.

Esse é um dos motivos, também, do porquê de a causa ecológica estar tão em moda nos últimos tempos. Essa distorção da causa ambiental, fez com que o tiro saísse pela culatra e, ao invés de combater o consumismo, fez apenas com que se criasse um novo nicho de mercado ainda mais interessante, pois, o principal público são pessoas de significativo poder aquisitivo (vide a febre do marketing verde…).

Mas então, desenvolvimento sustentável é uma utopia?  Penso que não. Mas para isso é necessária uma revisão do conceito de desenvolvimento que deve se dissociar da posse material e crescimento, e da idéia de que “mais é melhor”. Nos países desenvolvidos, ou mesmo naqueles em desenvolvimento, boa parte da população já atingiu (ou ultrapassou) a condição que lhes permite uma boa qualidade de vida e, no entanto, ainda quebra-se a cabeça para fazer com que consumam mais. Por outro lado, principalmente nos países mais pobres, muitas pessoas ainda não tem as condições mínimas para que vivam com dignidade. E, por isso, o desenvolvimento, no seu sentido mais difundido (crescimento) ainda é necessário. Mas não em todo lugar. A falta, impossibilita uma vida digna. O excesso, impossibilita a sustentabilidade e só faz aumentar o fosso entre os que tem e os que precisam. A resposta então deve estar no meio do caminho. Entretanto, isso implicaria uma mudança de valores que é incompatível com o modo de vida e, até mesmo, o sistema econômico atual. Mas aí, já é um outro assunto bastante complexo…

Abaixo, deixo algumas dicas para quem quiser saber mais sobre o assunto. Ah é, e quem puder compareça à palestra do Teto!

Abraços!

Evento: Palestra “A ascensão das classes sociais e a ampliação do consumo”.

Quando: 17 de setembro de 2012, às 19h30

Palestrante: Cláudia D’Ipolitto de Oliveira Sciré (Mestre em Sociologia pela Universidade de São Paulo – 2009).

Onde: Instituto Cervantes

Av. Paulista, 2439 – andar térreo – Bela Vista, São Paulo – SP

Informações: voluntariado.brasil@teto.org.br

¹Leituras que recomendamos!

à ABREU, Alexandre Maduro de. Valores, consumo e sustentabilidade. 2010. 224 f. Tese (Doutorado em Desenvolvimento Sustentável)-Universidade de Brasília, Brasília, 2010. Acesse em: http://repositorio.bce.unb.br/handle/10482/7049.

à SÈVE, Lucien. Causa ecológica e causa antropológica. Le Monde Diplomatique Brasil. São Paulo, n. 52, nov. 2011. Acesse em: http://www.diplomatique.org.br/artigo.php?id=1050