Hoje foi dia de revolução na praça em frente onde eu moro: só que de limpeza!!!!

Boa noite pessoal,

 

Hoje, plena segunda-feira, é feriado aqui em São Paulo por conta da homenagem à Revolução Constitucionalista de 1932. Motivada pela ocasião, acordei com vontade de fazer uma revolução também. E por um bom motivo: viver num lugar mais limpo e saudável.

 

Ver essa cena deplorável desde quando vim morar em frente à Praça Mario C. Ferraz me deixou indignada com a falta de respeito ao meio ambiente e má educação dos moradores da região

Desde janeiro que moro em frente a Praça Mario C. Ferraz, na Freguesia do Ó. A rua é tranquila, com vizinhos bacanas, com boa acessibilidade para outros lugares da cidade, bem servida de transporte público, com padaria, farmácia, açougue e até pronto-socorro por perto. Contando tudo isso vocês devem estar pensando: “mas o que há de errado? o lugar parece ser maravilhoso!”… E é, se não fosse um ítem que se tornou de primeira grandeza pra mim nos últimos anos:  o meio ambiente.

Esta é a cena da praça hoje… lixo de todo tipo. A prefeitura manda retirar, pelo menos de 15 em 15 dias, mas mal acaba a limpeza, e já tem mais uma montanha amontoada de novo… chego a pensar que pode ser provocação!

 

Desde quando fui morar nesta rua levei um choque! Os cidadãos das redondezas, simplesmente, depositam o seu lixo nas extremidades da praça. Um  horror! É um lixão a céu aberto, prato cheio para os ratos, pombos e companhia. Outro fato pitoresco, se não fosse muito sem educação, é que o local virou o ponto preferido dos adeptos da “macumba” que deixam seus despachos todos na praça, tornando o local, insurpotável, pelo lixo propriamente dito, porque com o vento, os roedores e vetores, esse material acaba se espalhando pelo local; e pela energia negativa que fica estagnada ali. Não vou entrar em detalhes, mas acredito muito que o lixo “espiritual” também existe e faz um mal danado mesmo pra quem não tem nem noção de que isso existe. As pessoas são livres para fazer o que quiserem, eu, particurlamente respeito, mas porque fazer isso num local residencial? Existem outras opções de locais mais discretos, no mínimo, convenhamos…

Os cacos de vidro, principalmente, de garrafas de cerveja, estão espalhados por toda a praça. Um perigo para as pessoas que passeiam com seus cachorros no local

Além disso, eu caminho com o meu cachorro todos os dias, pela manhã e a noite, e sempre tem cacos de vidro espalhados pela calçada e praça, porque as pessoas consomem suas bebidas, na maioria, cerveja, e em vez de jogarem nas lixeiras que existem ao longo da praça, jogam os vasilhames em qualquer lugar, que quebrados, tornam-se um perigo para quem passa pelo local, seja animal ou humano, concordam?!

 

Dona Gioconda, com 84 anos, e 73 morando em frente à praça, é uma das pessoas que mais lutam para manter o local limpo

A prefeitura manda o caminhão de limpeza, parece que de 15 em 15 dias, tirar a montanha de lixo das extremidades. Os limpadores, “coitados”, tiram tudo pela manhã e a noite, infelizmente, já tem um montinho de lixo lá esperando eles de novo… parece até provocação! Já os garis, aparecem uma vez por semana por aqui, mas, pasmém, eles só limpam em volta da praça, ou seja, o passeio, que é de cimento e, sinceramente, não sei porque só ele merece esse tratamento diferenciado. Fiquei encafifada com isso porque eu saia cedo para trabalhar e via o gari andando com seu carrinho e vassoura, imaginava que tudo ia ficar limpinho, porém, a noite, quando eu saia com o cachorro, notava que o lixo que fica disposto na grama ainda estava lá, por toda a praça. Não entendia, mas, enfim, eu não tinha muito o que fazer.

Dias vêm e dias vão e ver todo esse lixo estava me deixando muito incomodada e inconformada com a situação.  Então, resolvi tomar uma atitude e decidi que eu mesma ia limpar a praça, primeiro, porque estava morrendo de medo do meu cachorro pisar em algum caco de vidro e, segundo, porque, como cidadã, ainda mais uma jornalista especializada em meio ambiente, eu não podia ficar de braços cruzados, ruminando a minha indignação. Para a minha sorte ganhei uma aliada nessa empreitada. A minha vizinha, Gioconda Corsi Trigueiro, de 84 anos e que mora nesta rua há 73 anos (isso mesmo, 73 anos!), também compartilhava desses sentimentos e me deu o total apoio para começar a limpeza. Nem preciso dizer que ela conhece a história do bairro como a palma da sua mão e me ajudou com a maior disposição do mundo! Fiquei admirada! Precisava de mais umas três “Donas Giocondas” para essa Freguesia do Ó ficar nos trinques!

 

Não sabemos por qual razão, mas os garis só limpam em volta da praça. No meio, em cima da grama, por exemplo, o lixo está por toda a parte

Hoje, às 8h20, começamos a recolher o lixo desde o início da praça no cruzamento da Av. Itaberaba com a Av. João Paulo I. Levamos umas 3 horas para recolher tudo e juntamos 2 sacos de lixo de 100 litros. A pior parte foi recolher os vidros. Tinha muita garrafa long neck de cerveja e de vodka quebrada. Enquanto fazíamos o trabalho muita gente passou pela praça, inclusive pessoas passeando com os seus cachorros, e aproveitamos para alertar da importância de tomar cuidado com os cacos de vidro para os bichinhos não se machucarem, e, principalmente, de cada um fazer a sua parte para não deixar a praça sujar até chegar a esse ponto de novo. Não dá pra pedir para as pessoas ajudarem na limpeza, pois isso tem que partir de cada um, mas o exemplo é uma forma de plantar a sementinha e deixar as pessoas mais cuidadosas para não repetirem os maus hábitos.

 

Recolhemos muitos cacos de vidro

 

 

Fizemos isso hoje e vamos fazer quantas vezes forem necessárias. A dona Gioconda contou que costumava fazer ações desse tipo com os antigos moradores do local, já que faz pouco tempo que essa praça foi construída e a prefeitura não costumava tomar as providências para a sua limpeza. “Não tenho vergonha nenhuma de pegar minha vassoura e minha pá para ajudar a limpar onde moro. Sou uma pessoa de bem, uma cidadã exemplar, e gosto de ajudar, principalmente, porque também é para o meu próprio bem”, declarou.

 

Tem várias lixeiras dispostas ao longo da praça, mas, adivinhem, as pessoas não jogam o lixo nelas. Ao lado dessa, por exemplo, tinham sacos de salgadinhos, garrafinhas de refrigerante e embrulhos de bala. O pior são esses vidros de carro, que foram deixados de forma irresponsável. Dona Gioconda me ajudou a retirar tudo com o maior cuidado para não nos machucarmos

 

Retiramos 2 sacos de lixo de 100 litros hoje. Vamos fazer isso quantas vezes forem necessárias, para o nosso próprio bem

Eu sei que temos o direito de reclamar, de acionar a subprefeitura, que pagamos impostos e temos nossos direitos e deveres. E é isso que vou fazer agora que tenho esse registro. Mas, o que mais me impulsionou é que, além de querer morar num lugar legal, bonito e saudável, é porque acredito que as pessoas podem mudar para melhor. É díficil, mas temos que começar. A Política Nacional de Resíduos Sólidos já chegou. É uma realidade que todos vão ter que se adaptar. Por enquanto a maior cobrança está só em cima do empresário, mas o cidadão também tem que ser informado dessas mudanças e, mais que isso, educado para viver sob essa nova realidade. Enquanto isso, eu e minha vizinha, Dona Gioconda, vamos fazendo a nossa parte.

Abraços,

Sofia Jucon