Filme Xingu foi uma grata surpresa

 

Coletiva de imprensa do Filme Xingu, no Cinemark Eldorado, em São Paulo, SP

No dia 27 de março eu, como jornalista da Revista Meio Ambiente Industrial, e a coordenadora, Gabriela Fonseca, participamos da cabine e coletiva do filme Xingu, no Cinemark Eldorado, em São Paulo, SP. Gostei muito do filme e considerei que a iniciativa foi uma grata surpresa.

Dirigido por Cao Hamburger e produzido pela O2 Filmes, o longa é, sem dúvida, um épico brasileiro que narra a heroica saga dos Irmãos Villas Bôas, criadores do Parque Nacional do Xingu em 1961, marco na defesa dos direitos dos povos indígenas. O filme reposiciona a importância da atuação de Orlando, Cláudio e Leonardo Villas Bôas na criação da primeira grande reserva indígena brasileira que mudou os paradigmas da politica indigenista no Brasil.

Assistir a esse resgate da história de vida dos irmãos Villas Bôas e a importância que eles representam para a valorização das raízes do nosso povo causou emoção e mostrou que não é só um entretenimento. Ele retrata que o Brasil também tem os seus super-heróis de carne e osso. Orlando, Claudio e Leonardo foram desbravadores. Fazer o que eles fizeram num lugar tão bruto, à parte do mundo que estamos acostumados, num tempo onde nem se imagina o aparato tecnológico que temos hoje, é, no mínimo, inacreditável, digno de ser lembrado pela eternidade e servir de exemplo tanto para as gerações atuais quanto as que virão.

O ator Caio Blat recebeu um exemplar da revista Meio Ambiente Industrial e parabenizou o veículo pelo seu trabalho de disseminação da informação ambiental

Na coletiva de imprensa estavam presentes o diretor Cao Hamburger; os atores João Miguel, Felipe Camargo, Caio Blat e Maiarim Kaiab, um dos índios que atuou no filme; os produtores Andrea Barata Ribeiro e Bel Berlinck; e o cineasta Fernando Meirelles, produtor do filme. Ele contou que foi procurado pela família de Orlando para que levasse a história dos irmãos Villas-Bôas para as telonas. Meirelles, a princípio, ignorou o projeto, mas ao ler o livro A Marcha para o Oeste, um diário escrito pelos irmãos durante a expedição, o cineasta logo se encantou pelo conteúdo. “Quando o Fernando me explicou, pedi um tempo para pesquisar, pois tinha poucas informações deles. Mas ao entender quem eram os Villas-Bôas, achei a história muito envolvente”, explicou Hamburger.

O diretor do filme, Cao Hamburger, ficou surpreso por conhecer um veículo que trata das questões ambientais na indústria e gostou muito da iniciativa

Além da saga que os irmãos vivenciaram, com seus conflitos pessoais, inter-relações, angústias, superação e alegrias, o filme cumpre também, mesmo que sutilmente, a função de mostrar a importância não só de conservação dos índios que habitam o Parque Nacional do Xingu, que hoje chega a contar com cerca de 16 povos indígenas, mas também, do quanto toda essa história está atrelada a questão ambiental brasileira. A vida do Xingu depende que a natureza viva. E isso fica muito claro no filme.

Para Hamburger, Xingu não é apenas um filme de época que aborda um episódio do passado, mas também uma produção que permite ao público traçar leituras com questões do presente. “O Brasil deveria assumir a responsabilidade e a oportunidade de enxergar os povos indígenas como parceiros que pudessem nos ajudar a entender o equilíbrio entre nossas ideais de desenvolvimento tecnológico e de progresso, com a filosofia deles no desenvolvimento individual, do convívio equilibrado em sociedade, e do equilíbrio e o habitat. Esse seria o pulo do gato. Um novo paradigma do conceito de progresso e de desenvolvimento”.

Meirelles, por sua vez, define que o filme chega num momento em que se questiona os megaprojetos para o desenvolvimento da Amazônia e as desastrosas mudanças do Código Florestal. “Xingu fala sobre esses mesmos erros cometidos há 50 anos”, observa.

Os atores Felipe Camargo, João Miguel e Caio Blat, também comentaram sobre o descaso com que a sociedade trata as questões ambientais na região. “Todos os dias em que estivemos nas filmagens presenciamos queimadas causadas, principalmente, por fazendeiros da região. O rio, considerado o supermercado dos índios, de onde eles tiram a maior parte dos alimentos que necessitam para a sua sobrevivência, sofre com o risco da poluição”, informou Camargo. Hoje, denominado Parque Indígena do Xingu, os maiores problemas enfrentados pelos seus moradores decorrem do processo de ocupação predatória de seu entorno e da ameaça de construção de empreendimentos do setor de Energia, como a usina de Belo Monte, por exemplo. Segundo os atores, o desenvolvimento desenfreado ameaça de múltiplas formas os recursos naturais e sociodiversidade do Xingu.

Como jornalista da revista Meio Ambiente Industrial, perguntei sobre usar a oportunidade do filme para a construção de um projeto de sustentabilidade que levante a bandeira da importância da conservação ambiental do Parque e, consequentemente, diante dos desafios ambientais contemporâneos, sirva de referência para toda a sociedade brasileira, mas não há nada em vista nesse sentido. “O que se espera é que o filme traga essa consciência e mostre para os expectadores que o trabalho de preservação iniciado pelos Irmãos Villas Bôas pode ter continuidade”, declarou Hamburger. Os demais participantes da coletiva concordaram. Quem sabe, essa pode ser uma semente plantada e, em breve, teremos novidades boas.

 

O filme estreia em cadeia nacional dia 6 de abril. A Downtown Filmes, Sony Pictures e RioFilme são responsáveis pela distribuição do longa que tem, entre outros parceiros, a presença da Natura Ekos como patrocinadora master do projeto.

Aproveitei a oportunidade e tirei essa foto com o crítico de cinema, Christian Petermann, do qual sou fã de carteirinha

 

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